Por: John Cutrim
Os arquivos da Mossack Fonseca mostram que o escritório panamenho criou ou vendeu empresas offshore para políticos brasileiros e seus familiares. Há ligações com PDT, PMDB, PP, PSB, PSD, PSDB e PTB.
Entre
outros, aparecem vinculados a empresas offshores o deputado federal Newton
Cardoso Jr. (PMDB-MG) e o pai dele, o ex-governador de Minas Gerais Newton
Cardoso; o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto; os ex-deputados João Lyra
(PSD-AL) e Vadão Gomes (PP-SP), e o ex-senador e presidente do PSDB Sérgio
Guerra, morto em 2014.
Há
também alguns parentes de políticos que têm ou tiveram offshores registradas. É
o caso de Gabriel Nascimento Lacerda, filho do prefeito de Belo Horizonte,
Márcio Lacerda (PSB), e de Luciano Lobão, filho do senador Edison Lobão
(PMDB-MA).
O Blog procurou
todos os mencionados na reportagem. Leia aqui o que cada um
disse.
A
lei brasileira permite a qualquer cidadão ter uma empresa num paraíso
fiscal. É necessário, entretanto, que a operação esteja registrada no Imposto
de Renda do proprietário. Quando há envio de recursos para o exterior é também
obrigatório informar ao Banco Central sobre a operação, em casos que superem
determinado valor.
A
documentação usada nesta reportagem foi obtida pelo ICIJ (Consórcio
Internacional de Jornalistas Investigativos), organização sem fins lucrativos e
com sede em Washington, nos EUA. O material está sendo investigado há cerca de
1 ano para a preparação da série Panama Papers. Participam dessa investigação
com exclusividade no Brasil o UOL, o jornal “O Estado de S.Paulo” e a Rede TV!.
As
informações são originais, da base de dados da Mossack Fonseca. Os dados foram
obtidos pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung e compartilhados com o ICIJ.
Funcionários
da Mossack Fonseca dizem, em trocas reservadas de e-mails, que a política da
companhia é “não atender pessoas que têm ou tiveram cargos políticos”.
Algumas
das offshores foram utilizadas pelos políticos e seus parentes para comprar
bens e imóveis no exterior. Outras serviram para movimentar contas bancárias em
países como a Suíça.
No
Brasil, foram checados pelo UOL no banco de dados os nomes de pessoas
classificadas no mercado financeiro como “PEPs” (do inglês, “politically
exposed person” ou “pessoa politicamente exposta”). O cruzamento realizado
incluiu os 513 deputados federais, os 81 senadores e seus suplentes, os 1.061
deputados estaduais eleitos em 2014 e os 424 vereadores das 10 maiores cidades
brasileiras.
Foi
checado o nome da atual presidente e os de todos os seus antecessores vivos,
além de seus familiares mais próximos. Os ministros atuais e ex-ministros do
STF e de todos os tribunais superiores também foram checados, além de dos
candidatos à governador e à Presidência da República em 2014.
Muitos
outros cruzamentos foram realizados e o resultado que tenha relevância
jornalística e interesse público será publicado nas próximas reportagens da
sériePanama Papers.
O FILHO DE EDISON LOBÃO
Luciano Lobão adquiriu uma empresa offshore com a Mossack Fonseca em agosto de 2011. A VLF International Ltd teve como intermediário um escritório de advogados de Miami Beach, na Flórida.
Luciano Lobão adquiriu uma empresa offshore com a Mossack Fonseca em agosto de 2011. A VLF International Ltd teve como intermediário um escritório de advogados de Miami Beach, na Flórida.
A
offshore foi usada para comprar um apartamento em Miami Beach em 2013, por US$
600 mil. O imóvel foi vendido no ano seguinte por US$ 1,08 milhão. A mulher de
Luciano Lobão, Vanessa Fassheber Lobão, também aparece como dona da VLF
International.
Luciano
é filho do senador e ex-ministro Edison Lobão (PMDB-MA). Ele nunca se envolveu
diretamente com política, mas é dono de uma empreiteira, a Hytec, que é
responsável por obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento, do governo
federal) no Maranhão.


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