Por: Júlio Belargo
É o fim da picada, a gestão de Nair Portela vem cada vez mais sendo incoerente dentro da Universidade Federal do Maranhão – UFMA , depois de ter demitido diversos funcionários terceirizados que faziam(ou pelo menos tentavam) a segurança de dentro da cidade universitária agora usa de tráfico de influência para colocar a Policia Militar fazendo a vigilância do Campus. Mas as universidades públicas, ao contrário das ruas e praças, não são espaços de uso comum do povo e têm seus estatutos e regimentos específicos. A Polícia Militar, por não estar sujeita às normas universitárias, não é o órgão competente para fazer a segurança interna dos campi.
Por isso
estudantes e funcionários tem de estar contra a permanência da PM dentro do
Campus Bacanga. A PM tem de fazer o
policiamento ostensivo nas ruas e nos bairros circunvizinhos da UFMA. Não vai
adiantar nada, pois a criminalidade tem assolado os bairros como Sá Viana, Vila
Embratel, Vila Bacanga com as facções que o governo do estado não tem poder de
eliminar das ruas e nem dos presídios
É o fim da picada, a gestão de Nair Portela vem cada vez mais sendo incoerente dentro da Universidade Federal do Maranhão – UFMA , depois de ter demitido diversos funcionários terceirizados que faziam(ou pelo menos tentavam) a segurança de dentro da cidade universitária agora usa de tráfico de influência para colocar a Policia Militar fazendo a vigilância do Campus. Mas as universidades públicas, ao contrário das ruas e praças, não são espaços de uso comum do povo e têm seus estatutos e regimentos específicos. A Polícia Militar, por não estar sujeita às normas universitárias, não é o órgão competente para fazer a segurança interna dos campi.
![]() |
| Policial Militar no CEB Velho |
Entenda melhor a conjuntura da segurança nas Instituições Federais
de Ensino Superior
A USP, assim como grande
parte das universidades públicas brasileiras, é uma autarquia. E dentre as
atribuições constitucionais das Polícias Militares não está a de fazer a
segurança de autarquias. A imensa extensão de muitos campi universitários, em
especial o da USP, poderia levar à falsa percepção de que se trata de locais
públicos como outros quaisquer e, portanto, sujeitos ao policiamento da PM, mas
isso não é verdade.
Nem todo bem público é
acessível a qualquer pessoa. Há os bens públicos de uso comum que podem ser
usados por qualquer pessoa do povo, como ruas, praças, estradas etc, mas há
também os bens públicos de uso especial que são destinados a uma determinada
atividade pública específica, como, por exemplo, os prédios das repartições
públicas e das universidades. Cabe à Polícia Militar realizar o policiamento
ostensivo em locais de uso comum, mas os prédios e terrenos das autarquias são
propriedades de uso especial e, como tais, estão sujeitos à responsabilidade
dos chefes destas autarquias. É por isso que não se vê PMs fazendo a segurança
dos prédios do Banco Central do Brasil, do Incra, do INSS e do Colégio Pedro
II.
A segurança dos prédios
das autarquias deve ser organizada e paga pela própria autarquia com os
recursos de seu orçamento. Isso porque as autarquias possuem autonomia
administrativa e os policiais militares, não sendo funcionários do órgão,
ficariam na absurda situação jurídica de serem servidores públicos em serviço
no prédio da autarquia sem estarem sujeitos às ordens do chefe da casa.
Os órgãos públicos,
sejam eles quais forem, estão concebidos a partir de uma organização
hierárquica que pressupõe um comando único. A presença de policiais militares
em serviço em uma autarquia pode gerar situações absurdas nas quais as ordens
do chefe da autarquia são desrespeitadas, já que os policiais não se subordinam
ao seu comando.
Um caso paradigmático
ocorrido em abril de 2008 na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
ilustra bem o problema de se ter uma polícia não sujeita ao estatuto e ao
regimento da universidade em serviço no campus.
Alunos do Instituto de Geociências (IGC) da UFMG promoviam a exibição do
documentário Grass (1999), que trata da descriminalização da maconha, quando
foram interrompidos pela Polícia Militar, que proibiu a execução do filme com o
surreal argumento de tratar-se de apologia às drogas. No caso em questão, a
ação da polícia foi lamentavelmente solicitada pela própria direção da
faculdade e, portanto, não houve um conflito de orientações. Em tese, porém,
seria perfeitamente possível imaginar uma situação na qual a polícia desejasse
proibir a exibição do documentário sobre a legalização das drogas (ou um
seminário ou qualquer outra atividade acadêmica) e a direção da faculdade
autorizasse a atividade. Então, ter-se-ia a absurda situação de servidores
públicos armados dentro da universidade desrespeitando as ordens de quem tem,
por determinação constitucional, autonomia universitária.
Guarda universitária
A presença da Polícia
Militar nos campi das universidades públicas brasileiras é uma aberração
jurídica que só pode ser superada com a criação das guardas universitárias ou o
seu fortalecimento onde ela já existe, como é o caso da USP. As guardas
universitárias são de responsabilidade única e exclusiva dos órgãos de direção
da universidade e eventuais abusos podem ser muito mais facilmente prevenidos e
solucionados internamente. Claro que nada impede que, como em qualquer
autarquia, a Polícia Militar seja chamada, caso necessário, a comparecer ao
local para reprimir um crime que esteja ocorrendo. A segurança cotidiana da
autarquia, porém, deve ser realizada por uma guarda interna, que deverá ser
treinada tal como qualquer segurança de universidades particulares. Se é
possível às universidades particulares fazerem a segurança de seus campi sem a
necessidade da presença da Polícia Militar, também é perfeitamente possível que
as universidades públicas assim o façam. É bem verdade que os campi das
universidades públicas em regra são bem maiores e mais complexos que os da maioria
das particulares, mas seu orçamento também é maior e parte dele precisa ser
destinado à garantia da segurança interna.
Isso não quer dizer
também que os universitários terão imunidade para usarem drogas dentro do campus, o que parece ser a preocupação
prioritária dos moralistas de plantão. A lei penal vale dentro e fora dos
prédios das autarquias e, caso pratiquem qualquer crime, poderão ser
responsabilizados por eles. Quem deve decidir, porém, se a prioridade da guarda
universitária é prevenir homicídios e estupros ou combater o uso de drogas é a
direção da universidade, por meio de seus órgãos colegiados representativos de
professores, alunos e funcionários. Ao abrir as portas do campus para a PM, deixa-se ao arbítrio
da própria polícia decidir quais crimes desejam prevenir prioritariamente. Na
ausência de recursos para se evitar todos os crimes e na ânsia por combater o
uso de drogas, a PM pode acabar deixando de combater os crimes em razão dos
quais foi convidada a entrar no campus,
que são justamente aqueles que colocam em risco a vida e a integridade corporal
da comunidade acadêmica.
Já a guarda
universitária, como qualquer outro serviço de segurança, deve ser concebida
para proteger prioritariamente a integridade física e o patrimônio das pessoas que
frequentam o local. Se eventualmente flagrarem outro tipo de crime sendo
praticado, podem e devem agir, até porque, na maioria das vezes, tais crimes
também constituem infrações disciplinares previstas nas normas internas da
universidade. Mas quem deve pautar as prioridades da guarda universitária é a
própria comunidade acadêmica por meio de seus representantes nos órgãos de
direção.
Evidentemente, haverá
gasto de dinheiro público para organizar e equipar as guardas universitárias. É
preciso lembrar, porém, que a presença da Polícia Militar nos campi também custa dinheiro aos cofres
públicos e ainda tem o inconveniente de retirar os policiais que deveriam estar
velando pela segurança de pessoas que transitam por bens de uso comum para
realizarem serviço típico de seguranças em autarquias que atendem apenas uma
parcela limitada da população.
É preciso que se
compreenda que uma coisa é serviço de segurança de instituição de ensino e
outra é policiamento de locais de uso comum do povo. Situações distintas precisam
de profissionais com treinamentos diversos e, principalmente, subordinados a
autoridades diversas para cumprirem bem seus papéis. Procurar resolver os
problemas de segurança nos campi universitários
por meio de convênios com a Polícia Militar nada mais é que o famigerado
“jeitinho brasileiro”, cuja inconstitucionalidade já teria sido alardeada, não
fosse o discurso conservador que insiste obsessivamente em levar a Polícia
Militar para dentro dos campi mais
com objetivos moralizantes de combate às drogas de que como solução para os
efetivos problemas internos de segurança universitária.
Fonte: Revista Fórum

Nenhum comentário:
Postar um comentário